quinta-feira, 5 de março de 2009

Abaixo a discriminação pela idade


Deu em um telejornal que os corretores da maioria dos planos de saúde não ganham comissão quando vendem para clientes acima de 58 anos. A justificativa é de que os idosos causam prejuízo financeiro às empresas. O pior é que essa desculpa discriminatória é dada sem nenhum constrangimento ou arrependimento. É como se a saúde das pessoas com mais idade fosse algo descartável, onde esta responsabilidade só caberia ao caótico setor público.

Independente da ação bárbara de discriminação pela idade, a verdade é que, há muito, a saúde deixou de ser um sacerdócio ou uma obrigação de estado para se tornar apenas um negócio como outro qualquer, onde o que menos importa é a promoção da saúde e, sim, a perpetuação das doenças, que acabam por financiar a boa vida de alguns.

Só que agora a rede privada também está caótica, pois os lucros exorbitantes não tiveram destino de melhorar os serviços. E o que se vê hoje são filas, reclamações de atendimentos, enfim, os mesmos problemas que acontecem todos os dias nos hospitais públicos.

As razões para tal situação são muitas, mas recordo que o colapso da rede pública – referência mundial no passado – foi acontecendo ao mesmo tempo em que os planos foram surgindo e se fortalecendo. Parece que foi proposital.

A saída para mim é promover prioritariamente políticas públicas de recuperação das redes de saúde, fazendo com que os médicos voltem a tomar gosto pelo juramento que fizeram, pois até eles acabaram como vítimas ou reféns das empresas. Salários e condições dignas deveriam ser as primeiras providências junto com a despolitização que ainda acontece em vários níveis.

Depois, incentivar a prevenção como fundamento para qualidade de vida e manutenção da saúde, estabelecendo prioridades em políticas públicas neste sentido. Acho que só assim damos os primeiros passos no sentido de impedir os gananciosos de continuar comercializando a saúde do povo.

3 comentários:

rodrigo disse...

Você está certa quando lembra que grandes hospitais públicos, como Hospital dos Servidores e o de Bonsucesso eram os melhores. Mas, os tempos são outros, e a ganância levou a saúde para o lado comercial. Falta vontade política para reverter o quadro atual.

Luiz Cordeiro - da Vila da Penha

Anônimo disse...

Gostaria de reclamar a volta dos projetos de Ginástica na Praça para os idosos de Bonsucesso. Belmira Coutinho, tenho 72 anos, e moro em Bonsusesso, na Rua Adail.

Anônimo disse...

Prezada Cristiane, está acontecendo algo de absurdo do qual as autoridades legalmente constituídas não estão (ou parecem não estar) tomando conhecimento:
No mês de abril minha tia de 72 anos recebeu um Ofício malcriado do Rio Ônibus NOTIFICANDO-A de que seu cartão Rio Card estava sendo "rastreado" e que "demonstrava indubitavelmente" que estava sendo utilizado "em excesso". Ela, muito aflita, pediu-me para ver se precisava fazer algum recadastramento ou tomar alguma outra providência.
Qual não foi minha surpresa ao constatar que o telefone 0800 que conta no tal ofício simplemente conduz a um telefone de prefixo comum, que está sempre ocupado. E quisera Deus que estivesse ocupado para sempre. Fui destratado pelo atendente, que vociferou que o cartão é para ser usado exclusivamente "nos dias úteis, e dentro do horário de expediente".
Sendo eu uma pessoa neutra na questão já deu para abalar-me os nervos, então imagine-se uma senhora de 72 anos que gasta seu tempo dedicando-se a obra de visitação a idosos e enfermos (inclusive nas instituições oficiais do Município e do Estado) ao receber um ofício inconsequente onde é praticamente acusada de cometer alguma fraude!...
O Sindicato das Empresas de Ônibus (Rio Ônibus) ao longo do tempo tem sempre legislado em causa própria e exercido poderes
de fiscalização e julgamento, colocando-se no lugar das autoridades legítimas.
Seu congênere em São Paulo chegou ao cúmulo de pretender convencer ao Supremo, de uma pretensa inconstitucionalidade do Art. 39 do Estatuto do Idoso. Não convenceu, e nem poderia.
Notei que existe uma grande dificuldade em conseguir alguma ajuda, exceto nas Defensorias Públicas.
Percebo entretanto que as pessoas idosas sofrem sem se defender, necessitando de alguém para fazê-lo.
Acho que a essa altura o caso seja de polícia mesmo.
Peço-lhe atenção para com esse caso, pois a Rio Ônibus tem enviado o mesmo oficio para milhares de pessoas em todo o Estado, que devido às limitações impostas pela idade, não têm conseguido reclamar seus direitos, submetendo-se a esse constrangimento e até mesmo humilhação.
Acho que o importante não é receber qualquer quantia como ressarcimento de danos morais. Tem de haver sobretudo respeito para com aqueles que hoje nos brindam com a sua experiência mas que ironicamente têm tido seus direitos constitucionais simplesmente desconsiderados.
A propósito, a Rio Ônibus instalou no seu sistema de auto atendimento uma opção para quem recebeu o tal ofício. Isso prova que o investimento nessa aventura foi consideravelmente grande e premeditado, não se tratando portanto de uma simples "infelicidade administrativa", mas de um ato criminoso, covarde e mesquinho, que pode até mesmo ter tido resultados prejudiciais à saúde de muitos de nosso idosos. Como saber? Quem irá apurar?
Parabéns por seu constante trabalho em favor dos idosos.

Sergio