quarta-feira, 5 de novembro de 2008

I have a dream


“Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Independência, estavam assinando uma nota promissória de que todo norte-americano seria herdeiro. Esta nota foi a promessa de que todos os homens, sim, homens negros assim como homens brancos, teriam garantido os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade”.
Martin Luther King
As palavras iniciais do discurso de Martin Luther King, na tarde histórica de 28 de agosto de 1963, vêm à atualidade com a eleição de Barak Obama à presidência da maior nação do mundo, e pela qual retomam-se as esperanças de resgate do verdadeiro sonho americano, em que o espírito de liberdade e de oportunidade alimentava oprimidos do mundo todo.
É verdade que os tempos são outros, mas os desafios de luta contra as desigualdades são os mesmos. Porém, só o rompimento da barreira racial demonstrada pela sociedade americana, que deixou de lado seu estigma conservador, já é uma alusão de que ‘a mudança chegou à América’, como o mesmo Barak enfatizou em seu discurso de presidente eleito.
Outra evidência que fica com a vitória do senador democrata é a certeza de que é possível crer nos sonhos e ideais, que até a atualidade se encontravam esquecidos, subjugados pelas personalidades de poder, cujas ganâncias e vaidades estão com seus dias contados. Não digo que as mudanças serão àquelas que todos almejamos, em que a felicidade universal esteja garantida, mas o que desejo ressaltar é o ineditismo de um fato histórico, onde valores nobres, como justiça, lealdade, solidariedade e ética, nortearam o discurso da mudança.Que os ventos democratas do Norte inspirem nossos homens públicos, muitos aprendizes de estadistas, onde a palavra é somente um conjunto de letras, e não traduzem compromisso. Estes deveriam mirar-se na história de perseverança e fidelidade nas convicções e posturas morais do senador democrata. Que não façam do poder um meio de impor seu próprio ego acima do interesse maior da sociedade.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Global crash III



Para quem ainda duvida do estouro da bolha especulativa, pela qual o governo cegou a Nação por muito tempo, tomo licença para republicar artigo de César Benjamin, da FSP, de 01/11 passado.


A marcha da insensatez
Cesar Benjamin


ESCREVER SOBRE a vulnerabilidade da economia brasileira era uma heresia há poucas semanas. Agora, quase se tornou desnecessário. Desabam as mistificações sobre as nossas blindagens. A fase aguda da crise mal começou e já tivemos de recorrer a um empréstimo de US$ 30 bilhões do Fed (o banco central dos EUA), que dispensou intermediários e passou a operar como emprestador de última instância a bancos centrais vulneráveis. Uma consulta a alguns números da economia brasileira mostra por que entramos na primeira lista de países socorridos, ao lado de México, Coréia do Sul e Cingapura.
Desde 2002, mais de 80% do que recebemos do exterior, na forma de saldo comercial, foi enviado de volta, na forma de remessas de serviços e rendas. O pequeno saldo restante fica longe de explicar o acúmulo de cerca de US$ 200 bilhões em reservas, alardeado como sinal de solidez.
A maior parte dessas reservas foi formada com capital externo de curto prazo, atraído ao Brasil pelos juros altos e aqui distribuídos em ativos dotados de elevada liquidez. As reservas brasileiras são a contrapartida de um passivo líquido que, ao se mover, pode reduzi-las a pó. Enquanto o governo comemorava o "fim da dívida externa", formava-se uma nova dívida mais perigosa.
Esse capital de curto prazo não planta um pé de alface. Ao contrário: ao entrar, valoriza o câmbio e contribui para fragilizar o sistema produtivo. Não faltaram advertências sobre isso. Mas a valorização cambial tinha aliados poderosos: ajudava o BC a atingir as metas de inflação, aumentava as remessas de lucros das empresas multinacionais e permitia gigantescos ganhos aos especuladores. Passear com recursos pelo Brasil, remunerando-os com a nossa generosa taxa de juros, e remetê-los em seguida para fora, comprando dólar barato, foi o melhor negócio do mundo nos últimos anos.
Enquanto isso, a nossa pauta de exportações se empobrecia, concentrando-se naqueles produtos em que temos grandes vantagens comparativas -as commodities. Todos sabem que, no longo prazo, isso é perigoso. Porém, um dos subprodutos do ciclo especulativo foi justamente o aumento de preços dessas mercadorias de baixo valor agregado. Nossas exportações estagnaram em quantum, mas cresceram em valor, ocultando temporariamente o problema. Em paralelo, para que os exportadores brasileiros compensassem o câmbio ruim, o BC os estimulou a entrar pesadamente na especulação com moedas. A bolha se disseminou. As advertências de que o arranjo tinha pés de barro foram sistematicamente desqualificadas.
Mesmo com a crise internacional se avolumando desde agosto de 2007, não adotamos salvaguardas.
Colheremos os resultados em 2009. As empresas que tiveram grandes perdas cortarão investimentos. Com a queda nos preços das commodities, o saldo comercial ficará perto de zero. As remessas de recursos ao exterior aumentarão, elevando o déficit externo. O BC adotará políticas recessivas, que provavelmente incluirão um novo choque de juros. Os prejuízos serão repassados ao Tesouro Nacional, contabilizados como déficit público, reforçando o coro favorável a mais uma rodada de cortes em gastos essenciais, como se salários de professores e investimentos em infra-estrutura fossem a causa da crise. É a marcha da insensatez.
O Fed deixará conosco US$ 30 bilhões até abril de 2009, para que possamos segurar a oscilação cambial e acalmar os mercados. O capital de curto prazo, com certeza, entendeu o recado: tem seis meses para ir embora sem maiores perdas. Depois, seja o que Deus quiser.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Cidade Maravilhosa


Pelo menos na história recente do Rio, poucas vezes se viu uma demonstração de unidade de todas as esferas de poder em prol da cidade. O anúncio das primeiras medidas, como a volta da ordem urbana, é prenúncio de que a era do populismo irresponsável e demagógico chegou ao fim. É hora de juntarmos forças e esperanças no sentido de tirarmos o Rio das páginas policiais e trazê-lo de volta ao verdadeiro espírito carioca de outrora, resgatando a Cidade Maravilhosa ao seu devido lugar: capital cultural do País. Viva o Rio de Janeiro!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Novo guia para turistas idosos

Já se encontram nas agências da Caixa Econômica Federal exemplares do novo Guia Viaja Mais - Melhor Idade, que traz a relação completa de hospedagem e pacotes turísticos com promoções especiais para quem tem mais de 60 anos. Segundo o Ministério do Turismo, o material reúne todas informações para o viajante, com várias promoções, incluindo descontos de até 50% para os idosos. O programa já conta com 12 cidades de origem cadastradas, levando turistas da terceira idade para 36 destinos receptores do Viaja Mais Pacotes. No guia, o interessado poderá escolher entre 22 operadoras de turismo e 1.446 agências capacitadas à disposição desse publico, que oferecem cerca de 664 pacotes diferenciados.
Para ter direito ao desconto, o hóspede pode fazer sua reserva on-line no site www.viajamais.com.br ou poderá entrar em contato diretamente com o hotel desejado. A promoção é para o ano inteiro, mas o desconto de até 50% só vale para baixa estação. Nos últimos anos, o setor de turismo teve um incremento maior graças a participação cada vez maior do público da terceira idade.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

174 II

Sobre o seqüestro das adolescentes em Santo André, mais uma vez, a transformação de um drama de violência urbana em espetáculo televisivo acabou por contribuir para o fim trágico daquele episódio. Para mim, o não isolamento acabou por fazer daquele facínora uma celebridade em horário nobre. É possível que o caso seja usado como exemplo de como não se deve agir em situações semelhantes. É inaceitável o que aconteceu.